Projetos da Liga

O balanço líquido de emissões de Gases de Efeito Estufa (GHG) a partir dos avanços da tecnificação na pecuária brasileira de corte estão sendo analisados a partir da aplicação da metodologia do GHG Protocol Agrícola.
O Programa Brasileiro GHG Protocol tem como objetivo estimular a cultura corporativa para a elaboração e publicação de inventários de emissões de gases do efeito estufa (GHG), proporcionando aos participantes acesso a instrumentos e padrões de qualidade internacional.
Trata-se de uma ferramenta utilizada para entender, quantificar e gerenciar emissões de GHG originalmente desenvolvida nos Estados Unidos, em 1998, pelo World Resources Institute (WRI) e é hoje o método mais usado mundialmente pelas empresas e governos para a realização de inventários de GHG. É também compatível com a norma ISO 14.064 e com os métodos de quantificação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).
A aplicação da ferramenta GHG Protocol no Brasil acontece de forma adaptada ao contexto nacional, a partir de parâmetros de agricultura e pecuária tropicais desenvolvidos pela Embrapa e Unicamp. O Programa Brasileiro organiza grupos de trabalho junto às empresas participantes para o aperfeiçoamento do método e desenvolvimento de novas ferramentas para a contabilização de emissões de GHG de acordo com a realidade brasileira.
Abrigado dentro da LIGA DO ARAGUAIA o projeto Carbono Araguaia, em implantação com o apoio da empresa Dow, permite o monitoramento da redução de emissões de GHG resultantes da adoção de práticas de intensificação por um conjunto representativo de 24 (vinte e quatro) fazendas de pecuária da região, representando uma área de pastagens de cerca de 82.000 hectares, devidamente engajadas ao projeto através de Cartas de Adesão.

São os seguintes os principais objetivos do projeto Carbono Araguaia:

  • Instalação de ensaio para análise e monitoramento das emissões de GHG e aumento de carbono no solo em gleba de pastagens de propriedade da Agropecuária Água Viva, em Cocalinho, MT;
  • Monitoramento da redução de emissões de GHG realizado em 82.000 hectares de pastagens já identificados, pertencentes a vinte e quatro fazendas da região engajadas ao projeto;
  • Disponibilização dos benefícios ambientais da redução de emissões para os Jogos Olímpicos Rio 2016, contribuindo para mitigar as emissões de GHG ocorridas em função da realização dos jogos em julho/2016.

Comparando a redução de emissões obtida no período de 2015 até o ano 2018/19 e as estimativas do balanço ex-ante realizadas no início do projeto (2015), é possível afirmar que o projeto excedeu as expectativas. Até o momento foi possível evitar a emissão de 620.318 ton CO2e, representando 117% da meta inicial prevista para os cinco anos do projeto (531.028 ton CO2e até 2020). Tal redução foi possível graças sobretudo ao aumento de carbono no solo resultante da restauração/reforma das pastagens, da adoção da integração lavoura-pecuária (iLP) e da redução da idade de abate dos animais.

Voltado ao apoio às atividades de intensificação sustentável e restauração florestal na região, o projeto Campos do Araguaia, já finalizado, foi fruto de parceria da LIGA DO ARAGUAIA com a TNC, The Nature Conservancy, com o apoio do IDH, The Sustainable Trade Initiative.

Criada em 1951, a TNC é a maior organização de conservação ambiental do mundo. Atuando em mais de 35 países, vem trabalhando no Brasil desde 1988 onde atua em todos os biomas do país. É sua primeira parceria em projeto de pecuária no Estado de Mato Grosso.

Foram os seguintes os principais objetivos do projeto Campos do Araguaia:

  • Apoio às atividades de intensificação da pecuária de corte da região;
  • Remoção de barreiras à adoção de práticas de intensificação sustentável;
  • Apoio às atividades de restauração e interligação de fragmentos florestais;
  • Divulgação e replicação das lições aprendidas e articulação institucional para inserção nas políticas públicas.

Até Abril 2019, data da sua finalização, o projeto Campos do Araguaia atendeu 36 produtores, correspondendo a 59 propriedades com área total de 108.000 hectares, 62.000 hectares de pastagens, 47.000 hectares de Áreas de Vegetação Nativa e 9.500 hectares de APPs. 

O projeto Garantia Araguaia, em implantação através de parceria estabelecida com o Imaflora, Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola, tem os seguintes objetivos principais:

  • Levantamento de indicadores e desenvolvimento de ferramenta de  Monitoramento,  Reporte e Verificação (MRV), relacionada às práticas produtivas e socioambientais de produtores rurais participantes dos projetos da LIGA DO ARAGUAIA para futura conformidade e certificação pelas normas da Rede de Agricultura Sustentável (RAS) / Certificação Rainforest Alliance, em conformidade com os indicadores do GIPS/GTPS;
  •  Desenvolvimento de um sistema de Validação e Verificação de Emissões de Gases de  Efeito Estufa das atividades agropecuárias dos membros da LIGA DO ARAGUAIA a partir da metodologia e resultados alcançados com o projeto Carbono Araguaia;
  •  Desenvolvimento de estratégia de acesso a mercados e seus operadores que reconheçam os atributos de qualidade e sustentabilidade inerentes ao processo de produção e produtos produzidos no âmbito das fazendas participantes dos projetos da LIGA DO ARAGUAIA.

A adoção da ferramenta MRV dá transparência às boas práticas agropecuárias e socioambientais adotadas pelos pecuaristas dos projetos da LIGA DO ARAGUAIA, objetivando a ampliação de vantagens competitivas e redução de emissões de GEE, garantindo a origem do produto, a gestão e o cumprimento de critérios produtivos e socioambientais alinhados a demanda por uma produção sustentável e compromissos da agenda climática.     

Em sua primeira fase (Fase I) foram avaliadas 14 fazendas através de 144 requisitos relativos a quatro temas principais (Carbono; Boas Práticas; Desempenho e Governança), representando 35.646 ha de pastagens e um rebanho de 25.643 cabeças totalmente monitorado pela ferramenta de gestão.

Visando validar e buscar a futura certificação da redução de emissões de GHG (Gases de Efeito Estufa) obtida nas fazendas participantes dos projetos da Liga do Araguaia foi firmado “Acordo de Cooperação” com o CNPGC/Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande, MS. Denominado Projeto BC Araguaia (Baixo Carbono Araguaia), tem como objetivo examinar a viabilidade técnica de considerar os sistemas de “intensificação” e de “integração lavoura-pecuária” como sistemas pecuários para mitigação de gases de efeito estufa, buscando o enquadramento dessas práticas nas diretrizes estabelecidas pela Embrapa no protocolo CBC, Carne Baixo Carbono, visando futura validação e certificação.

Parceria estabelecida com o Grupo JBS/FRIBOI, o projeto REBANHO Araguaia tem por objetivo apoiar um grupo inicial de 10 fazendas selecionadas dentre os participantes da Liga do Araguaia em seus esforços de aumento da produtividade e intensificação sustentável na pecuária de corte. Focado na melhoria da gestão produtiva e de sustentabilidade dessas fazendas, prevê atividades de capacitação e acompanhamento, incluindo a utilização de ferramentas de gestão da produção, com monitoramento da redução de emissões de Gases de Efeito Estufa.

O projeto CONSERV Araguaia, uma parceria da Liga do Araguaia com o IPAM, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, visa oferecer compensação financeira a proprietários rurais participantes da Liga do Araguaia que detenham em suas propriedades áreas de vegetação nativa excedente às exigências do Código Florestal e que se disponham a mantê-las sob vegetação nativa/conservação. Concretizando uma ferramenta de Pagamento por Serviços Ambientais (PSAs) prestados por essas áreas, durante o período do contrato será oferecida a tais proprietários um pagamento anual correspondente a área excedente total presente na propriedade e colocada à disposição do projeto.

Fruto de parceria firmada com a empresa Raízes Desenvolvimento Sustentável, o projeto RAÍZES Araguaia busca fortalecer o turismo ecológico na região como iniciativa de inclusão social e econômica, ao tempo em que promove o aumento da renda das fazendas de pecuária através de iniciativas na área do turismo ecológico e rural.

Focado em um conjunto de atrativos ambientais e razoável infraestrutura presentes na região, o projeto se iniciou pela elaboração de proposta de programa para a região denominado “Programa Incluir: Turismo Roncador-Araguaia”, voltado ao fortalecimento do turismo como ferramenta de desenvolvimento econômico e inclusão social através da:

  • Valorização do patrimônio sociocultural da região;
  • Valorização do ativo ambiental e estímulo à conservação;
  • Estímulo ao empreendedorismo;
  • Fixação do homem ao campo, combatendo o êxodo rural e fortalecendo os vínculos com o território.
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